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REIMPLANTE

É Possível Substituir e Reimplantar Partes Do Corpo Humano?

Sim, é possível. Com o advento da microcirurgia, parte da cirurgia reconstrutiva que trabalha com vasos e nervos de pequenos calibres (1 a 5 milímetros), a qual utiliza microscópio e lupas magnificadoras, surgiu na década dos anos 60, possibilitando a realização de reimplantes e transplantes de tecidos.

Tranlsplante ou retalho de tecidos é a retirada de uma parte do corpo (tecido) para outro lugar onde há falta, reconstruindo, portanto, a parte afetada ou lesada. Essa perda de tecido pode ter sido decorrido por algum acidente industrial, automobilístico ou agrícola, arma de fogo (revolver), arma branca (faca ou facão) e explosões (fogos de artifício). Os retalhos de tecidos podem ser: livres (onde há uma desconexão total das estruturas vasculonervosas, ou seja, artérias, veias e nervos e reconectados por técnica microcirúrgica em outro lugar do corpo) e pediculado (onde não há desconecção das estruturas vasculonervosas, e, sim, uma rotação de um determinado tecido que servira para cobrir, então, uma estrutura exposta ou lesada. Os retalhos livres ou pediculados podem ser: cutâneos, musculares, ósseos ou complexos (cutâneos, musculares e ósseos ao mesmo tempo).

Indicações de retalhos de tecidos

Locais onde há exposição de articulação, osso e tendão que não podem ser cobertos (revascularizados) com apenas enxerto de pele simples.
Locais onde há infecção crônica (osteomielite e úlceras que não cicatrizão). Exemplo: uma determinada pessoa que perdeu tecido muscular em uma das pernas com grande exposição óssea necessita de uma cobertura musculocutânea, então, um músculo com pele das costas (ex:grande dorsal) é retirado com vasos (arteria e veias) e recolocado na perna que sofreu o acidente. Enfim, a cirurgia reconstrutiva por meio de retalhos de um modo geral, pode ser realizada com sucesso, seja no revestimento cutâneo, muscular ou esquelético (enxertos ósseos vascularizados, incluindo as pequenas articulações), possibilitando a preservação de um braço, mão, perna, etc...., evitando-se a perda dos mesmos.


Reimplante é quando um membro (dedo, mão, braço, pé, etc...) amputado é recolocado de volta no local de origem, onde é refeita a parte óssea (osteossíntese), artérias, veias, nervos, músculos e tendões. Essas amputações podem ser completas, onde o membro está totalmente separado do corpo, ou, parcial, onde a amputação é técnica, ou seja, não há circulação arterial ou venosa no membro afetado, mas o membro ainda continua preso no corpo por pele, osso ou tendões.

Indicações de reimplante

Perda de dedos, em especial o polegar, pois este é fundamental para o movimento de apreensão ou pinça.
Perda da mão, a qual é essencial para as atividades do dia-a-dia de qualquer pessoa.
Perda do pé, fundamental para a deambulação (ato de caminhar), para o equilíbrio e para a manutenção na posição ortostática (ato de ficar em pé).


Os reimplantes de membros tem interessado os cirurgiões há séculos. HOPFNER, em 1903, publicou um trabalho experimental sobre reimplante em amputações completas de membros em cães.Somente em 1962, Malt e Mckham realizaram o primeiro caso de reimplante em um menino de 12 anos que havia sofrido amputação completa do membro superior (braço) e cujo o reimplante foi um sucesso.
Anastomoses (revascularização arterial ou venosa) em calibres menores com 1.5mm de diâmetro foi demonstrado por BUNCKE em 1965. Mas foi KOMATSU e TAMAI em 1968 que realizaram o primeiro caso de reimplante de polegar e enfatizaram a importância do uso e recursos microcirúrgicos em reparações vasculonervosas de dedos amputados, ou seja, reparo de estruturas de diâmetros muitos pequenos que variam de 1.0mm a 1.5mm, como artérias, veias e nervos com auxílio de microscópios ou lupas magnificadoras.

 

Em Passo Fundo, o Hospital São Vicente de Paulo, tem tradição em reimplantes há cerca de 20 anos, com a participação de ortopedistas, cirurgiões vasculares, neurocirurgiões e anestesistas, ou seja, uma equipe multidisciplinar. Desde janeiro de 1999, em Passo Fundo, foi introduzida a técnica microcirúrgica de reconstrução para reimplantes e retalhos livres, que possibilita salvar muitos membros superiores ou inferiores que estariam à risca de amputação. Já foram realizados desde janeiro de 1999 pela equipe do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) e do Serviço de Anestesiologia e Recuperação (SAR) vinte e sete (27) retalhos de tecidos (livres ou pediculados) e dez (10) reimplantes.

 

Transplantes de tecidos homólogos (de uma mesma espécie) como: rins, coração, pulmão, fígado já vêm sendo também realizados com sucesso na nossa cidade. Transplantes de membros estão em desenvolvimento, como é o caso do transplante de mão realizado em Lyon (França) em 1998, e em Louisville (EUA) em janeiro de 1999. Nestes casos as dificuldades são ainda maiores,

pois há uma grande necessidade de drogas imunossupressoras para evitar rejeições.

 

Nas destruições articulares ou ósseas por trauma, tumores ou artrose, as próteses (partes sintéticas feitas de ligas metálicas e plástico) vieram substituir as partes danificadas, restabelecendo a função, diminuindo a dor e remodelando a deformidade prévia, dando ao indivíduo a possibilidade de retomar as suas atividades habituais.

 

Com o desenvolvimento tecnológico de novas técnicas cirúrgicas, aparelhos, biomecânica, engenharia genética e imunologia, a substituição e reimplantes de partes do corpo vem se tornando um cotidiano em nossas vidas, transformando a ficção em realidade ao filme de Frankstein.



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