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AUMENTA NúMERO DE MULHERES COM LESõES NO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR

As lesões do ligamento cruzado anterior são comuns em países em que a paixão nacional é o futebol. E, nesse contexto, nos últimos anos, ocorreu um aumento significativo no número de pacientes do sexo feminino acometidos pela lesão, já que as mulheres estão cada vez mais se destacando como craques nos campos. De acordo com o ortopedista da Clínica IOT, Osmar Valadão Lopes Jr, especialista em joelho, as lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) acontecem devido a uma entorse do joelho geralmente durante uma prática esportiva. “Na maioria dos casos, essas lesões ocorrem  sem contato físico, ou seja, o paciente relata que sofreu a lesão sozinho”, esclarece.

O especialista comenta que as lesões ocorrem em pacientes expostos a uma situação de risco envolvendo movimento de desaceleração, aterrisagem e mudança de direção, o que é visto, por exemplo, na prática de esportes como vôlei, futebol, handebol e basquete. Vários fatores de risco relacionados com a lesão já foram identificados. Entretanto, a maioria dessas causas não são modificáveis, o que impede a eficácia de programas de prevenção. “Não é possível prevenir completamente a lesão, mas alguns estudos mostram que a melhora do condicionamento físico global, além do equilíbrio e posicionamento correto dos membros inferiores durante movimento de aterrisagem, após salto, principalmente em mulheres, pode diminuir a incidência de lesão”, revela o ortopedista.

No caso das mulheres, há fatores de risco de lesão ainda não completamente compreendidos pela ciência, como fatores anatômicos, hormonais e relacionados ao controle muscular, que fazem com que elas tenham uma chance de lesão do LCA maior do que os homens.  O diagnóstico da lesão é realizado através de um exame físico detalhado do joelho associado a exame de ressonância nuclear magnética. “Geralmente, suspeitamos da lesão quando o paciente relata a história típica da lesão ou queixas de falseio do joelho durante atividades físicas ou mesmos nas atividades de vida diária”, frisa.

Tratamento

Uma vez que a capacidade de cicatrização desse tipo de lesão ligamentar é mínima, a grande maioria dos pacientes necessita de tratamento cirúrgico. “O objetivo é reconstruir o ligamento cruzado anterior do joelho e, assim, estabelecer o funcionamento normal da articulação”, destaca o ortopedista. Atualmente, a cirurgia é realizada por videoartroscopia, procedimento minimamente invasivo, o que proporciona um pós-operatório com menos dor. “Enxertos de tendões do próprio joelho são usados para construir um novo ligamento cruzado anterior que, após alguns meses, funcionará como o ligamento original”, ressalta.  O tratamento conservador é reservado para pacientes sedentários, acima de 50 anos de idade, e que não tenham queixas instabilidade (falseio) do joelho.

O procedimento cirúrgico exige apenas um dia de internação e a recuperação passa por diversas etapas. Geralmente, é solicitado que os pacientes caminhem com o auxílio de muletas por até duas semanas, mas com apoio parcial do membro operado. O reestabelecimento do movimento completo do joelho é estimulado desde o primeiro dia após a cirurgia sendo o paciente encaminhado para um fisioterapeuta para que prossiga na fase de reabilitação. “Após dois meses da cirurgia, intensifica-se os trabalhos de reforço muscular com ganho gradativo de complexidade e treinamentos específicos. Dentro da normalidade, e em pacientes ditos não-atletas, após 8 a 12 meses, o paciente está apto a voltar à prática de atividade física sem restrições”, comenta o médico especialista.

De acordo com o ortopedista, na grande maioria das vezes, as cirurgias são bem sucedidas. “De 90 a 95% dos pacientes apresentam resultados bons e excelentes no final do tratamento”, revela. A não realização do procedimento cirúrgico faz com que o joelho evolua para um estágio de instabilidade crônica, ocasionando lesões irreparáveis nos meniscos e na cartilagem articular, comprometendo todo o futuro da articulação.



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